26.4.07

1 mês

Tudo pronto para pôr fim a mais um dia apago as luzes e a enfiar-me na cama desisto. Quero aproveitar o silêncio da casa. O silêncio deles. Fico a ouvir e por fim a escrever. Escrever-me. Há quanto tempo eu não sou só eu. Sinto falta. Mesmo não voltando atrás em nada na minha vida sinto falta. Passou um mês desde que tenho “duas mãos cheias de filhos”. Sinto-me bem mas não tem sido fácil. Quanto a isso não haja ilusões. Sinto o cheiro do bebé e sinto-me cheia dele. No espreguiçar vejo-lhe o pai e o irmão. A sua tranquila presença nas nossas vidas é um hino à diferença entre iguais. Nunca temi a partilha de afectos e isso prova-se todos os dias ainda que todos estejamos diferentes. O mais velho cresceu tanto e não há mãe/pai que não sofra com isso. Entre nós pai e mãe multiplicou-se o afecto, a preocupação e, claro, o cansaço que quantas vezes nos faz querer sair porta fora. Num destes dias saí mesmo. Foi um mês comprido vivido intensamente. Quase nada é fácil na maternidade. Ainda hoje as bolachas amassadas na cozinha já na recta final do dia garantiram a animação e o desespero. Acredito mesmo que até a mais doce das mães um dia amargou. Os gritos e até mesmo um certo sentimento de desespero são ingredientes da maternidade/paternidade. Mas apesar de o saber às vezes tenho medo. Tenho medo que lhes fiquem na memória mais do que os beijos, as cócegas, as festas na cabeça ao adormecer. Escrevo isto e tenho na cabeça as carícias hoje mesmo nos meus braços de manga curta. A suavidade do toque, a espontaneidade do gesto e a sua clara intenção. Ser mãe/pai é afinal uma “perversa” mistura de coisas boas e más. De gritos e mimos. Um “vem cá” assustado gritado a meio da noite e um “vai-te embora” birrento e revoltado no meio da tarde. Um “gosto tanto de ti” sussurrado já na cama e um “raios partam o miúdo” dito ou apenas pensado seja lá em que altura do dia. Ser mãe/pai nunca será fácil mas é para quem a eles se entrega o “para sempre” que nos faz querer ser todos os dias mais e melhor.

14 comentários:

Anónimo disse...

É isso tudo!

Mas o simples facto se sabermos isso nos dá a força para lutarmos contra os momentos menos bons!

Quem nunca perdeu a calma, a paciência ou nunca berrou? eu não conheço!

Beijinhos
Catarina

Anónimo disse...

Marcia... fiquei a chorar. beijos. anabela

Ana Sousa disse...

Afinal somos todos(as) iguais não é?

No fim vale tudo a pena!

Bj grande...

scaf disse...

Nem imaginas como este texto veio na altura certa! E já me fizeste chorar.
Um beijo grande, e um abraço cheio de mimo!

Xana disse...

Gostei muito. :) Um beijo!

Bluejustin disse...

Os primeiros meses de "mãe de 2" são realmente dificeis, mas aos poucos tudo se compõe.A minha pequena já interage bastante com o irmão, ri-se à gargalhada das patifarias que o irmão lhe faz e ele está sempre a dizer-me: Vai fazer o jantar que ela fica aqui ao pé de mim.
Senti que o stress diminuiu quando ela deixou de se alimentar exclusivamente do peito.
Tudo a correr bem!

Zuza disse...

é isso mesmo! :)

RuRafael disse...

O que posso dizer...
Simplesmente que é a Pura verdade o que escreveste. Lindo!
Beijocas e coragem para os dias menos bons.

LP disse...

Tal e qual! Beijo grande querida!

princesa-ines disse...

Lindo, adorei e deixaste-me com as lágrimas nos olhos...felicidades e força! xxx

Carla Dantas disse...

É talvez o teu melhor post… estou de lágrima no olho!!! Adorei – Bj grande

patrícia disse...

Aqui está mais uma a tentar contrariar as lágrimas.
Que texto bonito. E é pura verdade.
Bjs

carla disse...

Tão verdadeiro!!!

Beijo

sm disse...

Idem, idem, aspas, aspas!!

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