3.4.09

o meu trabalho dá-me lições de vida e esses são os dias bons

Ontem dei almoço e aconcheguei sestas e as crianças não eram minhas. Ouvi a narração do “cromado” sobre o seu bairro e as sua cenas. Fui conduzida por ruas sabendo que aquelas são as piores ruas e que há gente que é do bairro e que não as calcorreia. Senti um bocadinho do que é a vida de outra gente. Do que poderia ter sido ou ser e senti o peso de pensar no que nunca vai ser. Conheci o trabalho daqueles que continuam a acreditar e ainda bem que há quem acredite mesmo quando ao lado há quem peça muros. Porquê que é tão mais fácil construir muros não sabemos, mas é! Mas há gente que ainda assim está lá para os derrubar. Há gente que precisa tanto dessa gente. Muito mais do que sabemos. Ontem vi, conheci, senti, o jeito e as palavras de gente grande a precisar de colo e palmadas no rabo. Não agora, lá atrás quando elas eram devidas e merecidas, até! Agora? O colo tem outra cara. As palmadas serão outras. Empurrões, incentivos que podem até não dar em nada mas há gente que está lá. Ouve, fala, responde. Há gente que nunca chegará lá onde todos gostávamos que chegassem mas e então?!

A nossa vida é fácil demais.

6 comentários:

flores disse...

Mesmo!

Eu disse...

Como te compreendo!
Também eu já senti isso, exactamente em serviço.

E é por isso que a tirania de mãe impera de vez em quando, porque as coisas não caem do céu e por achar que as crianças têm que dar valor ao (fartote de coisas) que possuem!

Anónimo disse...

onde andaste rapariga? anabela

Márcia Carvalho disse...

Anabela, eu só ando por bons caminhos :)

Eu, não é o ter, sabes, é oq ue eles são é o que nós somos para eles. É os abraços. Os beijos. Os "gosto de ti"! É saber que bem perto de nós há jovens, adultos, velhos que nunca foram amados... no fim é tudo sobre isso!

Eu disse...

São afectos! Mas tb de tudo um pouco.

InêsN disse...

"a nossa vida é fácil demais" - tens tanta mas tanta razão...

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