14.2.17

O amor está no ar...

Adoro a expressão do filho Duarte quando se quer referir a amor entre homem e mulher, “gostar por amor”. Há dias, foi com o pai ao supermercado e obrigou-o a comprar-me uma caixa de chocolates. Esta manhã participou no momento da entrega com um misto de entusiasmo e vergonha. Claro que fizemos da coisa um momento de festa e como são bons estes momentos de festa feita a partir das coisas simples!!


Pavoneei-me pela casa exibindo a minha caixa de chocolates e a cantarolar “eu gosto do pai por amor, eu gosto do pai por amor!” As reações são do mais engraçado: o Bernardo, mais velho, com um “cala-te com isso…”, comprometido, quem sabe ele próprio a pensar naquilo que o dia lhe espera, ou não, ou ainda no que o dia lhe exige!; o João, a envergonhar-se e a lamentar-se “este dia vai ser muito irritante”; o Duarte,  rir-se muito e a admirar-se com o “descaramento” com que a mãe exibia os sentimentos pelo pai. 

O que vai naquelas cabeças e corações, só eles sabem… enquanto isso fica a certeza de que entre gritos, ralhetes e alguns castigos há também um clima de amor partilhado entre pais e filhos, um amor do qual todos são cúmplices e protagonistas!! 

E, claro, chocolates para partilhar…


10.2.17

Registos da bebé

Já anda!! (vai formosa mas não segura, mas vai...)

Já diz: papa; mamã; papá; pato (as educadoras juram a pés juntos que sim!);
imita a vaca, o piu-piu e o cão e diz memé (o João jura a pés juntos que sim); caca (quando tocamos a fralda); ... sei lá já diz tanta coisa ou já tenta dizer tanta coisa que para nós é como se falasse!


Coisas variadas e habilidades:

É uma apontadora! Aponta para tudo, parece que quer dizer tudo e que tudo lhe desperta interesse.
Vibra com os irmãos e com todas as suas palermices.
Bate palminhas com os pés e ri-se com a sua própria habilidade.
Onde está a Maria Rita? está aqui!!! Aponta para si
Atira beijinhos (deliciosos)
Sopra quando vê soprar!



9.2.17

7 anos

Quando um dos nossos filhos faz anos há vários rituais que se repetem e outros que vamos juntando ao longo do caminho. O Duarte fez 7 anos e o dia foi de uma grande alegria. Só hoje aqui a registo, mais de uma semana depois, mas não podia deixar de o fazer.

Então:
Escusado será dizer que a excitação começou na véspera. Aliás, na verdade está sempre subjacente uma contagem decrescente a partir, mais ou menos, do dia seguinte a fazerem anos. E isto é verdade para todos eles… talvez menos hoje para o mais velho, mas mesmo assim… Não é propriamente os presentes que os mobilizam mas acho que é aquela atenção particular que lhes é dispensada e, sobretudo, a alegria de viver!!

Bom, mas a agitação foi grande. “Foi o meu último dia de 6 anos!” Assim se deitou para cedo acordar e acordar toda a família. Também a Maria Rita partilhou desta excitação, naturalmente, e com a mesma alegrai dos irmãos. Houve velas e parabéns logo pela manhã, houve panquecas do mcdonald's, que a mãe comprou de véspera para o pequeno almoço, houve presentes que trouxeram sorrisos. 

Depois, no resto do dia, um como todos os dias de aniversário: bolo na escola, do sporting, jantar com a família e a madrinha que veio com os primos, uma presença que o encheu de alegria. Tem um carinho especial pelos padrinhos. Sente-os como seus e o facto de eles serem “seus” fá-lo sentir-se especial e isso, numa família grande, é sempre valorizado.

Depois veio o sábado e a festa dos amigos da escola. Credo, o que estes miúdos gritam!!
Fica assim todo o registo da festa dos 7 anos. Mais em palavras do que em fotografias que, como sempre somos meio destravados com isto, mas há algumas.

Está crescido o nosso “fofinho”. O nosso menino, o nosso rapaz que era o bebé da casa e que no último ano tem vivido com alguma dificuldade a perca deste “posto”. Adora a sua irmã, como todos eles a adoram, verdadeiramente, mas, também verdadeiramente, tem sentido a pressão de crescer e isso custa-lhe, muito! Custa-lhe nos ossos que lhe doem, nas calças que ficam curtas, nas camisolas que ficam presas na cabeça e lhe tiram a respiração, mas, sobretudo, no espírito que teima em querer manter-se o menino-bebé.   


Duarte:
Miúdo que acorda com um ar mimento que só dá vontade de apertar. Despenteado, sem meias nem pantufas, continua a ser o "pinguim" que aparece na cozinha à procura de um abraço. Ao fim-de-semana ainda não dispensa a passagem pela cama dos pais e é sempre bom. Tem uma gargalhada meio gritada que é livre, mas um pouco aguda demais, enche a casa toda. Partilha o que tem com os irmãos e é o típico “tem mais um, para o meu irmão?”, é um miúdo fácil no trato, no entretenimento, no consolo. Detesto que ainda tire macacos do nariz, detesto que ainda queria fazer-se de menino-bebé. Detesto o jeitinho “assobia para o lado” para não cumprir com as tarefas que lhe damos. É estridente, é magricela, mas come bem e adora uma sopa. Não gosta de picante numa família de picantes (até o pai aprendeu a gostar), não gosta de batata doce, não gosta de peixe assado no forno. Adora fruta, toda a fruta, mas, sobretudo morangos! Adora animais. Desenha lindamente e está a descobrir a música. Adora capoeira e natação, as duas atividades que escolheu em troca do futebol. É do sporting e acompanha com alegria o pai e os manos nas idas ao estádio. 











20.1.17

a universalidade das brincadeiras

Há algumas técnicas de entretenimento de crianças  que atravessam gerações, pelo menos lá em casa já vão na 4ª:

- máquina de lavar roupa;
- máquina de lavar loiça;
- cesta das molas;
- gaveta dos taparueres (e das tampas);
- dispensa;
- esfregonas e pás do lixo;
- comandos de televisão;
- ...



19.1.17

Pela boca morre o peixe ou se regressa a casa

Ando a treinar-me na “comida de mãe”. Ontem fiz ervilhas com ovos escalfados, mas esqueci-me dos ovos. Há dias fiz aletria, mas deixei-me embalar nos tempos de cozedura e ainda que tenha acabado, ficou dura de mais. Tenho de me por a caminho de uma sopa de feijão encarnado com nabiça porque o “estômago” há-de ser uma garantia de regresso a casa seja pela porta adentro seja pelos cheiros e temperos.

13.1.17

Dá-me uma certa tranquilidade saber que o amor está algures envolvido nesta conversa...

Mãe!
Sim…
Na minha turma há uma menina muito mentirosa!
Então, porque?
Porque disse que outra menina está grávida.
Como grávida? Isso não pode ser porque ela ainda é uma criança…
Claro que pode… se ela gostar de alguém por AMOR!

5.1.17

1 ano

Foi um dia bem passado, nas Avelãs de Ambom, com a “família da Guarda” e os tios e padrinhos de Lisboa que foram para passar uns dias divertidos connosco. O cheiro da lareira agarrou-se-nos à roupa e à pele deixando-nos com a ideia de que o mundo lá fora, no corre-corre do dia a dia, estava parado. Estivemos tranquilos e felizes ainda que, em casa, a avó Nélita desse guerra a uma meio-pneumonia, que nos valeu um susto na véspera de Natal e umas boas horas de espera no hospital.

Na passagem de ano, a menina bebé dançou até de madrugada. Desperta pela novidade de tanta agitação e meio anestesiada pelo sono que, ainda assim, teimou em combater. Os olhos mostraram clara admiração pela roda de gente que se formou à sua volta cantando os parabéns a vocês. Foi assim o primeiro aniversário.

Para registo:

Anda pela casa à nossa procura de gatas, claro, acho mesmo que vai gatinhar a vida toda. Já se põe de pé com a maior das tranquilidades e segura-se até só com uma mão com bastante segurança, mas andar que é bom está quieto! Vai de uma ponta para a outra do sofá, mas rapidamente se atira para o chão e de gatas lá vai. Brinca com alegria e gosto com os irmãos que conhece individualmente e de quem retém coisas diferentes em momentos diferentes.  Ainda ontem, no momento de ir para a cama, se aninhava na almofada do mano J. e quando a chamei para irmos embora virou-me a cara a garrou-se a ele. E eles gostam dela e saboreiam-na como nunca se saborearam uns aos outros e a isso se deve também a diferença de idades. Está a começar a querer falar mãe e pai, a seu jeito, e ontem surpreendeu-me com uma espécie de “cão” quando um rafeiro se atravessou no nosso caminho! Adora uma bola e adorou o Nenuco que recebeu no Natal. Adora pentear-se e finalmente rompei o segundo dente de cima, são agora 4. Está linda!

14.12.16

E as noites?!

Quando se tem um bebé em casa a pergunta é inevitável. Então se o bebé é uma MR, sossegada em tudo e em todos os momentos, a pergunta parece que ganha um novo sentido, quase macabro, como que a dizer “não podem ter sorte em tudo, vá, digam a verdade.” A verdade é esta e é verdade de todos os bebés: as noites são boas, mas, também, às vezes são más. É os dentes, é a tosse, é sei lá que outra fase arranjamos para nos distrairmos do quanto é difícil sair da cama à uma da manhã, ou às duas ou às cinco. A verdade é que custa sempre e que não vai passar nem daqui a uns meses nem daqui a uns anos. O B. no alto da sua “a-doze-escência” ainda há dias gritou o seu tão infantil e doce “mamã”, porque estava mal disposto, eram não sei quantas horas que nem me dei ao trabalho de ver. É assim e pronto! 

Mas já que falamos das noites tenho de dizer que não é tanto o acordar que me custa, (até porque muitas vezes nem chego a acordar, é o pai quem lá vai), o que me custa mesmo é o vaivém e a expectativa do “ficou?”. O que me custa é o momento “dor”. Acho que todos nós pais o conhecemos, é o momento em que os deixamos tranquilos na cama deles e tudo parece indicar que já adormeceram, mas sabemos que nem sempre é assim e, por isso, ficamos mais um bocadinho e eles não mexem, “ficou”, pensamos, “agora ficou mesmo” e ainda damos mais uns segundos, mas já lá vamos de manso retomar o ponto em que largamos o sono. Regressamos à nossa cama, ainda um pouco desconfiados e, por isso, vamos devagar para lhes dar tempo, “se tiver que acordar que seja agora”, não acordou, “ficou”, pensamos, “ficou mesmo”, e enfiamo-nos de novo na cama e retomamos o sabor aos lençóis mornos, e ainda levantamos a orelha felizes por não ouvir nada, “ficou, ficou mesmo” e permitimo-nos relaxar e já estamos mesmo lá, no ponto em que ficou o sono, quando o ouvimos… quase que dói no corpo… queremos ignorar, foi só um barulho, mas não, voltou a acordar e voltamos a sair da cama, e está frio, e temos sono e este é o aquele momento, o momento “dor”, aquele em que a minha maternidade se desconstrói.


Depois há episódios que no dia seguinte até dão para rir, como quando nos atropelamos para chegar à bebé, um ignorando que o outro se levantou ou quando, sonâmbulos, chocamos de frente um já a voltar do quarto e o outro ainda a arrastar-se para lá, ou, ainda, como no outro dia, em que me assustei e dei um grito quando percebi que eu estava de um lado do berço e o pai estava do outro, ou quando entrei no quarto da bebé, meti a chucha, ela dormiu e eu não conseguia encontrar a porta de saída do quarto… enfim, boa noite!!

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